Maresia trás tranquilidade
com pitadas de marasmo, vida praiana. Os dias são mais preguiçosos e lentos. Segundos
pulando, sem olhar o relógio, deixando apenas correr lentamente, fomos para
Itacarezinho, praia de maior extensão na região, ironia do nome. Graças ao seu
tamanho e a ladeira do acesso encontramos poucos turistas por lá, fomos recepcionados por hibiscos e outras flores. Um caminhar solitário e silencioso na praia de areia branca,
fina, parecida com sal, aonde folhas de coqueiros balançavam com o vento e
faziam sombras cinza no chão. As ondas quebravam no mesmo ritmo dos nossos
passos, águas em nuance turquesa e anil ditavam os tons do ambiente semidesértico
com poucos momentos de contato com o mundo e pessoas.
O clima favoreceu o ócio
criativo, pela terceira vez na vida me arrisquei abrir um coco seco. Fácil
começar, difícil de terminar. Se tivermos a opção de escolher dificilmente encaramos
a árdua tarefa de descascar toda fibra da casca seca e dura para desfrutar da
popa. Hoje virou uma atividade que triunfa momentos raros em lugares incríveis,
a primeira vez foi no Havaí, segunda em Ubatuba, e agora Itacaré. Manter o
nível para as próximas é expectativa aguardada.
Uma última dose, no sentido
literal. Encontrada perto de onde estávamos uma velha garrafa de cachaça repousava
na areia, a deriva por anos, com a força dos mares veio atracar por ali.
Mariscos criaram uma cultura nas paredes do vidro e já apodreciam com a força
do sol e distância da agua. Dentro da garrafa um resquício do líquido que entreteve
quem consumiu, agora consumia meus pensamentos, pensei por hora nas histórias
que passaram por ali, será que foram felizes ou tristes, em grupo ou solitária.
Reflexões que antecederam o cochilo que surgiu em meio ao silêncio e brisa
baiana.
Terminamos a noite jantando
no Marley’s, um restaurante com pratos contemporâneos de culinária
internacional. Optamos pelo mignon com molho thai e arroz de jasmim. O outro
prato foi um risoto de gorgonzola. Ambos comuns, nada que despertasse, deixando
a desejar pelo custo benefício, mas compensado pelo ambiente, funcionários e o
dono, um simpático belga. Mais um entre tantos gringos que largam o conforto de
suas vidas nos países desenvolvidos para viverem a atmosfera cool e relax por
aqui.
Enquanto vamos chegando à reta final da viagem o sentimento é cada vez mais de parar o tempo, de querer que cada momento tenha sua singularidade, que cada minuto seja uma vivência. Percebo que o avançar acentua o sentimentalismo para o coração e principalmente pra ponta do lápis.
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| Entrada para praia de Itacarezinho |







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