segunda-feira, 16 de novembro de 2020


Persuasão de Manada

Manada:
Rebanho de gado.
Grupo formado por aprox. 40 éguas e/ou mulas que acompanham um reprodutor e um retalhado.

Político:                                      
Adjetivo – Relativo ao governo de um Estado.
Substantivo masculino – Aquele que se dedica à política.

Duas definições distintas, mas que muito utilizada por diferentes grupos.

Lados são tomados, questão de ideologia. Apoio um candidato por acreditar que o mesmo se correlaciona com meus ideais. “Ele pensa como eu penso. Faz parte da minha gentalha, é gente como a gente”.  Você faz parte do rebanho, porém ironicamente esqueço que também faço parte de um, este apenas diferente do seu.

Persuasão:
Ato ou efeito de persuadir.

Persuadir:
Levar (alguém ou a si mesmo) a acreditar, a aceitar ou a decidir (sobre algo); convencer (se).

Estas definições talvez as que mais se encaixam com o “profissional político”, função que criamos. Podemos dizer que a persuasão está para a política assim como finanças está para a matemática. E é nessa que lobos se disfarçam de cordeiros. Caem na voz do povo e são transformados em heróis salvadores da pátria.

Que tenhamos muito cuidado com nosso senso crítico, dando menos importância para discursos e mais relevância para as ações, analisadas sob uma perspectiva do passado.

O que meu candidato fez de relevante para o mundo, país, estado, cidade ou bairro que pertenço? Ele contribuiu paras minhas causas? Sem dúvidas questionamentos importantes, mas são suficientes?

Quem meu candidato é como pessoa? Como ser humano? O que ele construiu? Quão vencedor ele foi até aqui? Ele montou seu próprio caminhar ou foi mantido por assistencialismo do sistema? Brigou por direitos ou levantou a bandeira dos deveres? Não se enxergar como um sol heliocêntrico e se esquecer que como cidadão do mundo possuímos um papel relevante na engrenagem que faz o mesmo funcionar.

Na terra do carnaval só conhecemos as pessoas como realmente são na quarta feira de cinzas. Muito cuidado!


domingo, 15 de novembro de 2020


O cenário do natural

Um passeio pelo jardim da criação,

inspira as mentes inquietas e incrédulas.

Que questionam o poder do voo de um gavião

e não enxergam as ondas que quebram num oceano a mil léguas.

Esse lugar é presenteado pelo som da natureza.

Os pássaros cantando parecem um violino em alta escala.

As folhas nas árvores dançam chacoalhando no ritmo da beleza,

as rosas e jasmim completam o cenário igual uma mandala.

                     

Sob esse visual peguei o meu caderno da imaginação.

Acompanhando o sol se por no mar,

palavras deixei que discorressem da minha mão,

antes de ter levantado, acordado e retornado para o lar.

Encerro para não me confundir em meio essa prosa louca.

Gratidão ao silencio contraditório do natural,

que expande meu horizonte e coloca palavras em minha boca.

Tento traduzir em linhas o que na verdade desconheço afinal.


sexta-feira, 13 de novembro de 2020


A primavera juvenil

A adolescência é uma fase de descobrir. Muita coisa é colocada a prova, e a maioria delas são internas.

Questiono muito nessa idade. Crio fantasmas. Me preocupo. Quero ter voz, ser reconhecido. “Ei mundo, nasce alguém, uma opinião, quero ser visto e lembrado.”

Duvido de tudo, acredito que o certo para mim é errado. E o errado dever ser testado. O mundo corre em uma direção contrária e talvez eu sou o contrário.

Erro para aprender. E aprendo para errar. Quero provar o gosto da liberdade, dizem que é doce, no futuro descobrirei que liberdade se apresenta em várias formas, inclusive amarga como novalgina. Não sou levado a sério, mas também no futuro descobrirei que a maestria está aí. Não esperar é surpreender.

Eu me formo, mas voz – amigos e familiares – me completa.

“Ah se eu tivesse a maturidade da vida adulta encorpada no mundo de descobertas da minha era juvenil.”

Questionamento vago, pois somos hoje fruto de quem fomos ontem. Convivemos com conflitos adultos, não mais adolescentes. Descobertas adultas. Valores adultos.

A vida são fases e em cada uma nos tornamos mais leitores do tempo, momentos e coisas. Como um bom livro que nos prepara, as diferentes épocas trazem consigo o despertar por viver mais e melhor.

Que venham outras primaveras, pois as flores das passadas adubaram minhas raízes. 



 

quinta-feira, 12 de novembro de 2020


O que você vê quando vê o fogo?

A chama da vida que chama através do calor.

Aquece a alma que acalma.

Hipnose estonteante nos aproxima da mente que não mente pra gente.

A verdade está aí dentro. A luz que brilha pode entrar, a escuridão vai embora quando o fogo começa chamar.

Fogo, teu fogo, meu fogo, juntos vamos brindar.

O nascimento da vida quando essa lenha pegar.

Eu vejo tudo no fogo. Vejo futuro, vejo o passado, mas sei que no presente devo me apegar.


quarta-feira, 11 de novembro de 2020



Bali é um canto

Chegada ao aeroporto, atenção turista, o país da perdição irá oprimir suas ideias mundanas, traficantes não são bem vindos, pena de morte prometida.

Oferta ao ar livre, portão do desembarque se abre, com ele o comercio. Tentam te vender de tudo. “Hotel?”, “taxi?”, “cocaine?”, “ladies?”, “taxi?”, “food?”, “what you need?”, “taxi?”. Na ida um taxi de 20 dólares, na volta o mesmo trajeto por 3. Turista é pra isso, pagar o preço pela desinformação. Chegar no hotel, viagem começa, opa! Celular perdido, souvenir para o taxista, nunca voltou. O presenteei ou fui presenteado por ficar longe das mídias sociais?

Kuta, centro, sujo, sujeira, lojas, magic mushrooms, festas noturnas, cantos noturnos, perdições noturnas. E o paraíso tropical? Escondido em vielas e construções irregulares. Cuidado com a moto! Olha outra! Cadê a calçada que deveria estar aqui? Deram lugar para a rua.

Dia de passear. Rio poluído, ainda divide espaço com o lagarto, fauna que fala, isso me lembra São Paulo. Mar, continuação do rio, pera! Poluído! Comercio. Oferta. No mesmo ritmo do aeroporto. Faz por menos?

Templos antigos, castigados ou privilegiados pelo tempo? Depende do ponto de vista. Para você o tempo trás o tom ou o tom trás o tempo?

Todos os lugares já nascem merecendo atenção e prêmios, pelo simples fato de serem. Aquele ofuscado pela falsa realidade pode te tirar da rotina. O outro com pouca infraestrutura pode te trazer à realidade alternativa. Bali é uma mistura de cidade litorânea bombardeada pela desigualdade, falta de educação e política duvidosa. Lembra nossa pátria.

O que encontrar na lama? Diamantes! A beleza desse lugar está lapidada no diferente, na devoção do seu povo que sorri, entrega flores aos deuses e nos ensina a todo o momento. Cultura que fala? Claro que existe paisagens, as que fazem jus a capa de revista. Mas paisagens as vezes pode ser questão de ângulo e perspectiva.

Aqui estou falando de alma! Originalidade! Tipo aquilo que a gente nunca viu e vê pela primeira vez e de imediato tem a percepção que não encontrará tão fácil por aí. Não é pra qualquer canto.

O mundo é grande, mas Bali é um canto dele!

  

terça-feira, 10 de novembro de 2020

 O sonho de uma criança

Um dia tive um sonho com uma criança. Ela vestia uma camiseta de manga, era preta com desenhos de chamas e uma caveira – um pouco heavy metal demais pensei – e uma bermuda de listras azul e branca. Os pés eram delicados e estavam calçados numa versão miniatura de um chinelo raider com algum desenho infantil dos anos 90 estampado.

Estávamos em um lindo jardim, com árvores antigas e altas, flores brancas e violetas, um gramado bem verde e pela luz amarelada do céu deduzi que o sol aos poucos ia se despedindo.

Essa criança sorriu pra mim, era o sorriso mais puro e lindo que já tinha visto, sua maior virtude. Seus cabelos eram de um tom loiro escuro, os olhos verdes da cor das folhas da antiga paineira que embelezava os fundos da paisagem. Em seguida, a criança me pegou pelas mãos e me guiou para um velho banco azul de madeira, notei que em frente ao banco havia uma mesa e sob ela uma TV. Ainda sorrindo, a criança fez um pedido, que eu assistisse pacientemente a um filme que passaria ali.

O filme começou, as cortinas se abriram na primeira imagem diante de mim e, para minha surpresa, vi de imediato o menino naquele filme. Ele estava diante de uma casa simples, com paredes brancas, cercada de terrenos baldios, cheios de mato ao redor. Era situada em uma irregular e esburacada rua de terra de onde veio caminhando a criança, e parou na frente do portão, este de madeira e pintado de um azul claro já desgastado pelo tempo e pela maresia, mal parecia se sustentar ao redor do sinuoso muro de blocos não pintados que demarcavam o terreno da casa.

O velho portão se abriu para aquela criatura divina, e um senhor de 80 anos o recebeu, a idade já lhe apontara a necessidade do uso de óculos de lentes grossas, lhe faltavam cabelos, tinha bigode, rosto rabugento que camuflava o amor, este traduzido em forma de cafuné na criança. Aquele terreno era seu laboratório de plantas, plantava tudo que tinha vontade. “Vô, que planta é essa aqui no canto?” “Isso é amendoim, crescem dentro da terra, tem que cuidar com a bola de futebol porque eles ainda precisam crescer mais” “Vô, depois do almoço a gente pode fazer fogueira?” “Eu te ajudo, mas não fala pra sua vó e nem pra sua mãe viu menino incendiário?”.

Redes penduradas na espaçosa varanda. Tios e primos conversavam a respeito do agitado dia na praia e faziam planos de ir para o centro da cidade a noite, era sábado, dia da “feirinha”. Na cozinha a panela de pressão anunciava que a batata estava cozida, “hoje tem maionese” pensou o menino. E se tinha coisa melhor que maionese combinada com macarrão ele ainda iria descobrir.

A vó nunca dispensava um caloroso abraço e um beijo no neto, que não era muito fã de demonstrações de afeto, todo mundo queria beijar, apertar, abraçar. Mas a vó era diferente, ela elogiava olhando no olho e sorrindo, “menino lindo da vó”, suas mãos eram quentes e seu carinho relaxava, ele ainda não tinha descoberto o significado de paz, mas sem dúvida essa palavra estava nos braços daquela velhinha.

O filme era lindo, tinha infância, família, sorrisos e um tempo que guardava sonhos e o futuro pela frente. Retratava sem dúvidas dias felizes da criança, mas fui desperto por ele, me pediu para não ficar triste, mas o filme tinha chegado ao fim. Olhando no fundo dos meus olhos, senti minha alma sendo tocada, “não fique triste que acabou e eu precise ir embora, porque eu sempre estarei aí, dentro do seu coração, lembre-se de mim sempre que puder que você vai sentir minha presença” dizendo isso partiu.

Nunca vou me esquecer daquele menino, ele se chamava Renan.