terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Diário de Viagem - Dia 2 - Chapada Diamantina : Lençóis & Muritiba




O presente de um lugar autêntico

O dia nasce na Chapada, convite para o musical do canto dos pássaros e chantagem emocional para levantar cedo. Tudo é verde com mechas coloridas pelas flores da primavera, o aroma doce com notas de laranja no ar trás de imediato bem estar, um “bom dia” e tanto.

Passeio a pé (queríamos deixar o carro de lado depois da estrada do dia anterior), Parque Nacional da Muritiba. A ideia inicial era deixar o senso aventureiro tomar conta e desbravá-lo, mas no caminho Jonas, um guia clandestino de 20 anos se apresentou simpático, castigado pela dura vida subsistente, já foi logo contando sobre o Serrano, uma rampa de pedra rosa com tons bege, cheia de buracos negros que formavam piscinas naturais, um clube de hidromassagem natural.

Ficamos com o guia, nos cobrou R$60 para fazer a volta no trajeto mais próximo da cidade, uma trilha de 4 km. No caminho areias que se formam há milênios através de processo erosivo das pedras presentes, um pedaço de mar no sertão traz à tona a época do oceano que um dia banhou aquele lugar. As rochas de lá são formadas por um conglomerado de várias outras, “aonde tem pedra assim, tem diamante”, dizia nosso guia. Era bem possível mesmo, diante dos nossos olhos enxergávamos uma espécie de mosaico natural de pedras coladas de todas as cores e tamanhos, formando uma verdadeira paleta de areias que vão do branco ao vermelho, com inúmeras variações de escala.

Passamos pela Cachoeira da Primavera e o Poço Paraíso, que de longe foi o melhor banho do tipo que já tive. Uma agua escura cor de Coca Cola, fria e uma poltrona natural que permitia a queda d’agua massagear o corpo e a mente. Continuamos a subida até o mirante, vendo lá de cima toda a cidade de Lençóis, no caminho fendas profundas e uma paisagem mescla de caatinga com mata atlântica, por hora arbustosa e árida, por hora selvagem e colorida. Finalizamos o passeio na Cachoeirinha, e por lá ficamos, agua cristalina, um convite para o mergulho. Peixes te recebem massageando seus pés, e com cuidado é possível ir até a queda, ver o mundo por trás da nuance das aguas, uma cortina natural.

Além do passeio incrível, o ponto positivo do dia mais uma vez foi para a gastronomia, um talento a parte. Almoçamos no Restaurante Paladar, um prato feito de frango grelhado com muito feijão, farinha de mandioca amarela e pimenta malagueta. Ponto para a limonada, que nos refrescou com seu cítrico depois de uma manhã de caminhada e muito suor. No jantar ficamos no Bistrô do Mato, que é famoso por seu crepe. Muito bem apresentado, comida de chefe, com identidade, defendendo a culinária raiz do lugar. A pedida foi Crepe da Terra com carne de sol, queijo coalho, banana da terra flambada e mel da Chapada. O outro foi de filé com molho de gorgonzola e manjericão. Acompanhando toda essa experiência, pedimos uma inusitada caipirinha de café, preparada com cachaça em sua base, gelo e expresso com licor, perfeita combinação de terral defumado dos grãos com doce.

Voltamos obviamente em êxtase, um presente que recebemos quando visitamos lugares tão ricos em cultura e atrativos, os dias não só parecem como realmente são mais longos. Cada canto uma paisagem, cada detalhe uma novidade.

Ao som de sapos e grilos falantes, gosto de cachaça de goiaba na boca, noite adocicada pela frente. São flashes de lembranças de um lugar único.


Cachoeira da Primavera

Mirante do Muriti

Jonas, o guia

Restaurante Paladar

Conglomerado

Bistro do Mato

Cachoeirinha

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