Do parado ao movimento.
Hoje iniciamos nossa rotina
praiana, o cheiro de mar – uma mistura de sal com vapor no ar – é inconfundível.
A vida ao nível baixo da praia nos deixa mais lento e propenso a ficar parado,
curtindo a perfeição do momento e a estabilidade do não se locomover por hora.
Estamos de volta também à
vida confortável, padronizada e previsível de se hospedar em uma pousada. Dentre
tantas opções, Burundanga foi a escolha para nossa passagem na cidade. Com uma
vasta área verde em meio uma coleção de esculturas e obras de arte, quartos
espaçosos e com varandas privativas, tinha o que procurávamos. Além, claro, do
café da manhã, uma espécie de luxo matinal, nos remetendo a vida de um rei com
seus banquetes de desjejum, boa maneira de começar o dia.
Devido à longa viagem dentro
do carro no dia anterior, fomos enraizados na vontade de gastar os chinelos,
caminhando pelos arredores, deixando qualquer tipo de veículo automotor ausente
e se locomovendo somente com as pernas e ao alcance daquilo que elas pudessem chegar.
Por isso nossa escolha de passeio foram as praias urbanas de Itacaré. Resende, Tiririca,
Praia do Costa e Praia do Ribeira. Todas acessíveis a pé e muito semelhantes em
ambientes que são divididos por encostas rochosas de pedras pretas vulcânicas, mar
agitado, areia grossa em tom amarelo escuro, coqueiros espalhados pela praia, certa
presença de sujeira humana e barracas de praia. Se você é do tipo que gosta de
estrutura, ondas, certo tipo de aglomeração e não se importa com vendedores
ambulantes aparecerem com frequência, vai se encontrar por lá.
O cenário de coqueiros e
praias nos coloca diante daquilo que um dia imaginamos como um dia ideal, e
isso agrada. Porém é perceptível o quão moldado o turismo aqui se encontra, uma
cidade que vive praticamente da renda gerada por turistas e com isso todos por
aqui tentam seu lugar ao sol de alguma forma te oferecendo algo. Isso força e
industrializa os serviços, turismo em versão enlatado que tudo já parece estar
pronto. A padronização te trás por um lado conforto, antes de você imaginar já
está ali, mas por outro trata o viajante como uma espécie uniforme. Ainda sou
fã de lugares que individualizam os visitantes, que correm a margem do que é
massificado, lugares cada vez mais raros e ofuscados pela demanda humana, que
age em muitos momentos como meras ovelhas.
O que de fato é um brilho e
particularidade dessa região da costa do cacau brasileiro é o agito noturno, ponto
especial para a Pituba, movimentada rua do centro aonde as lojas de artesanato e
restaurantes acompanham o ritmo das pessoas e ficam abertas até mais tarde. Bem
diferente da Chapada, que adormecia no crepúsculo junto com suas opções. A
noite foi regada por caipirinha de cacau, capeta, música de qualidade e boas risadas.
Os contrastes nos permitem e marcam as diferenças. O primeiro dia da mudança do interior para o litoral nos levou do silêncio ao barulho, do campo para as ondas, da solidão para o encontro. Equilíbrio justo e predominante para continuar coroando essa incrível experiência. Amanhã seguimos, por hora, a noite segue com lápis na mão e a mente rodopiante pós Smash Bar.
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