segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Diário de Viagem - Dia 1 - Chapada Diamantina : Da Salvador para Lençóis

 


As boas vindas das montanhas

A quarentena. Privação. Aquilo que priva desperta o anseio pela livre escolha. Desejo nostálgico em meio aos bons tempos.

O viajar. Anseio humano resguardado na vontade pelos novos lugares, válvulas de escape frente aos dias de rotina.

Sem duvidas que os tempos pandêmicos nos trouxeram ensinamentos. Para o turismo ele fez despertar a necessidade de escape. Aqueles que sempre viajaram sentiram a overdose da falta de deslocamento. E os que não viajavam se questionaram dos porquês em meio à rotina trancafiada, sonharam com o breakdown no lockdown.

E em meio a isso tudo, saímos, enfim a fuga para a realidade utópica. A ansiedade pré-viagem que toma conta e contagia, os momentos que antecedem a viagem são por si só viajar. A vontade da chegada. São tantas notícias, acontecimentos, que o pé fica atrás até as certezas do acontecer enfim se realizarem.

Chapada Diamantina, um sonho, uma realidade!

Chegamos. Felicidade. Planejamos por isso. Sonhamos com esse momento. Salvador, metrópole baiana, uma manta de prédios e casas em harmonia com uma rochosa e praiana costa tropical. Só de passagem, nosso rumo é o interior, 430 km nos separam do destino final, a cidade de Lençóis, o coração da Chapada Diamantina.

Pelo caminho estradas por hora retas, outras sinuosas. Pobreza, história e paisagens. O agreste brasileiro nasce no decorrer do tempo, o marrom da terra contrasta com folhas verdes, tão claras que parecem florescentes quando combinadas com os fortes raios de sol que apontam por aqui.

Chegada em Lençóis. Escolhemos como primeira opção de hospedagem o conforto de uma pousada, essa se chama Vila Serrano, que garante privacidade em espaçosos quartos de decoração moderna, mas a motivo da nossa escolha foi a privativa sacada, virada para um jardim de árvores nativas e floridas. O empreendimento é rústico, bem estruturado, tem piscina, caipirinha no bar e um bem avaliado café da manhã.

À primeira noite em Lençóis foi um momento a parte, com direito a jantar no Quilombola, que confesso foi a melhor carne de sol que comi acompanhada de baião de dois, a Amanda ficou com o escondidinho de carne seca. Duas especiarias do sertão que foram muito bem representadas, era a Bahia nos dando boas vindas com sua gastronomia, com direito a cerveja artesanal e free caipirinhas. Ainda como plano de fundo um músico trazia a trilha sonora do começo da saga em ritmo de mpb.

Para finalizar a noite conhecemos uma personalidade nordestina, que em sua loja de artesanatos - Meu Nordeste - nos serviu cachaças da região, “oxi, isso é bom di mais” dizia, afirmação impossível de discordar. Uma de pimenta e outra de goiaba, méis licorosos baianos, cultivados no clima árido, a cana de açúcar que cresce na terra seca, fermentam doce e perigosamente se apresentam como damas conquistadoras, mobilizam e nos servem de um drink eufórico e submisso. A noite segue, o silencio aponta.

Pensamentos correm livres.

Foi o primeiro, e já inesquecível, dia.


Restaurante Quilombola, Lençois.
Restaurante Quilombola

Vido noturna na pandemia em Lençois, 2020.
Rua das Pedras, Lençois

Nossa sacada da pousada Vila Serrano
Pousada Vila Serrano




 

 

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