As boas vindas das montanhas
A quarentena. Privação.
Aquilo que priva desperta o anseio pela livre escolha. Desejo nostálgico em
meio aos bons tempos.
O viajar. Anseio humano
resguardado na vontade pelos novos lugares, válvulas de escape frente aos dias
de rotina.
Sem duvidas que os tempos
pandêmicos nos trouxeram ensinamentos. Para o turismo ele fez despertar a
necessidade de escape. Aqueles que sempre viajaram sentiram a overdose da falta
de deslocamento. E os que não viajavam se questionaram dos porquês em meio à
rotina trancafiada, sonharam com o breakdown no lockdown.
E em meio a isso tudo, saímos,
enfim a fuga para a realidade utópica. A ansiedade pré-viagem que toma conta e
contagia, os momentos que antecedem a viagem são por si só viajar. A vontade da chegada. São tantas notícias, acontecimentos, que o pé fica atrás até as
certezas do acontecer enfim se realizarem.
Chapada Diamantina, um
sonho, uma realidade!
Chegamos. Felicidade.
Planejamos por isso. Sonhamos com esse momento. Salvador, metrópole baiana, uma
manta de prédios e casas em harmonia com uma rochosa e praiana costa tropical.
Só de passagem, nosso rumo é o interior, 430 km nos separam do destino final, a
cidade de Lençóis, o coração da Chapada Diamantina.
Pelo caminho estradas por
hora retas, outras sinuosas. Pobreza, história e paisagens. O agreste
brasileiro nasce no decorrer do tempo, o marrom da terra contrasta com folhas
verdes, tão claras que parecem florescentes quando combinadas com os fortes
raios de sol que apontam por aqui.
Chegada em Lençóis.
Escolhemos como primeira opção de hospedagem o conforto de uma pousada, essa se
chama Vila Serrano, que garante privacidade em espaçosos quartos de decoração
moderna, mas a motivo da nossa escolha foi a privativa sacada, virada para um
jardim de árvores nativas e floridas. O empreendimento é rústico, bem
estruturado, tem piscina, caipirinha no bar e um bem avaliado café da manhã.
À primeira noite em Lençóis foi um
momento a parte, com direito a jantar no Quilombola, que confesso foi a melhor
carne de sol que comi acompanhada de baião de dois, a Amanda ficou com o escondidinho de
carne seca. Duas especiarias do sertão que foram muito bem representadas, era a
Bahia nos dando boas vindas com sua gastronomia, com direito a cerveja
artesanal e free caipirinhas. Ainda como plano de fundo um músico
trazia a trilha sonora do começo da saga em ritmo de mpb.
Para finalizar a noite
conhecemos uma personalidade nordestina, que em sua loja de artesanatos - Meu Nordeste - nos serviu
cachaças da região, “oxi, isso é bom di mais” dizia, afirmação impossível de
discordar. Uma de pimenta e outra de goiaba, méis licorosos baianos, cultivados
no clima árido, a cana de açúcar que cresce na terra seca, fermentam doce e
perigosamente se apresentam como damas conquistadoras, mobilizam e nos servem
de um drink eufórico e submisso. A noite segue, o silencio aponta.
Pensamentos correm livres.
Foi o primeiro, e já
inesquecível, dia.
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| Restaurante Quilombola |
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| Rua das Pedras, Lençois |
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| Pousada Vila Serrano |




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